24 jul
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Indústria Cultural

INDÚSTRIA CULTURAL:
Incentivo à produção cultural em busca de identidade ou consumo de bens culturais?

Fernando Abath Cananéa*

RESUMO

O equilíbrio da vida pode ser expresso pela arte. O ser humano tende a desejar o mundo circundante, sendo a arte e a cultura meios indispensáveis para integrá-los a si mesmo.

Assim, compreendendo esse processo, a arte exige ações concretas sobre a realidade e em função disso as classes econômicas que estão no poder tentam oficializar a cultura como meio de dominá-la. Dentre outros instrumentos de controle e recrutamento destacamos a Indústria Cultural que será alvo da discussão contida, em caráter inicial, neste artigo.

Introdução

“A poesia é indispensável. Se eu ao menos soubesse para que…”. Com esse paradoxal epigrama, Jean Cocteau resumia ao mesmo tempo a necessidade da arte e o seu discutível papel no mundo pós-revolução industrial.

A arte expressa não só o equilíbrio da vida mas também uma profunda relação entre o ser humano e o mundo. Infelizmente, o conjunto das forças políticas de Estado e de Governo interferem, de tal forma, que suas funções se foram modificando sobre enorme interferência desses atores políticos que tentam impor controle através de normas e procedimentos burocráticos. Nunca, contudo, conseguirão alijá-la da vida humana, pois “a arte tem sido, é e será sempre necessária”( FISCHER; 1971: 12).

Por isso, é que se afirma, que o ser humano quer ser mais do que ele mesmo.
Ele quer ser completo, um ser total, dentro de um mundo que tenha significação e que não necessite de um consumir-se em uma vida pessoal banalizada, em sua exclusiva personalidade.

Seu desejo é por absorver o mundo circundante, integrá-lo a si. Anseia por “estender pela ciência e pela tecnologia o seu “EU” curioso e faminto de mundo até as mais remotas constelações e até os mais profundos segredos de átomo” ( FISCHER; 1971: 14).

Nessa perspectiva, anseia também, por unir, na arte, o seu “EU” limitado com uma existência humana coletiva e por tornar social e culturalmente relacionada a sua individualidade. O ser humano deseja ser ele mesmo.

A arte e a cultura são meios indispensáveis para essa união do indivíduo como ser mais completo, refletindo a infinita capacidade que tem a raça humana para se associar, para fazer circular as experiências e as idéias.

Além desse componente e desse desejo que lhe são inerentes, existe o processo de criação pois ela, a arte, não é apenas um estado de inspiração embriagante.

O fazer de um criador artístico é algo consciente e racional, findo o qual deve resultar a obra de arte como realidade dominada, como fazer artístico, como produto cultural, como algo da identidade do seu criador.

Em razão desse processo pode-se ter a compreensão de que a contradição dialética é inerente à arte e ao fazer cultural.
A arte precisa ser construída através da objetividade, derivando, também, da experiência subjetiva da realidade vivida.
O realizador artístico tem a possibilidade e a capacidade de “concretizar o sentimento, a emoção, a percepção do sofrimento e da dúvida”(FISCHER; 1997: 14).

Dessa qualidade fantástica da arte de desfazer temporariamente os laços da vida, brincando com a realidade e constituindo a natureza do divertimento que inebria a todos, escreveu Bertolt Brechet (1987), “nosso teatro e nossa arte precisam estimular a avidez da inteligência e instruir o povo no prazer de mudar a realidade”.
Para ele, deveria existir uma ação concreta sobre a realidade. E ele continua, dizendo: “nosso público precisa aprender a sentir na arte em geral, toda a satisfação e a alegria experimentadas pelo inventor e pelo descobridor, todo o triunfo vivido pelo libertador”.

Pode-se afirmar que a arte é um instrumento de conhecimento e transformação do mundo.
Não é sem razão que as classes dominantes1,tanto se preocupam em oficializar a cultura e as formas artísticas, dando-lhes o arcabouço comportamental que lhes interessam.

Numa sociedade onde os cidadãos estão divididos pelo poder econômico, o efeito imediato da obra cultural pretendida pela estética da classe dominante é o efeito de suprimir as diferenças sociais existentes na “platéia”, criando, assim, uma coletividade “universalmente humana”e não dividida em classes enquanto a obra de arte é observada.

É o mito da ideologia liberal em contraponto mas querendo se fazer democrática, igualitária.
A arte e suas manifestações culturais são condicionadas pelo seu tempo e representam a humanidade em consonância com as idéias e aspirações, as necessidades e as esperanças de uma situação histórica particular.

Assim entendendo-a, e endossando FISCHER(1971), a arte é necessária para que os seres humanos se tornem capazes de conhecer e mudar o mundo,mas também é necessária em virtude da magia que lhe é inerente.

Ela é quase tão antiga quanto os seres humanos. Por essas considerações, acredita-se serem essas as razões fortíssimas pelas quais as classes dominantes procuram instrumentalizar e recrutar a arte e os bens culturais a serviço de seus propósitos de poder hegemônico.
Nas sociedades pós-modernas, um desses instrumentos de recrutamento é a Indústria cultural.

1. Classes dominantes, termo empregado no texto como conceito marxista- aqueles que detém, hegemonicamente, os meios de produção.

Indústria cultural – O que é?
Conceitos e interpretações: elementos de sua composição.

O termo “CULTURE INDUSTRY” na versão de Ernest Ficher (1959) ou “KULTURINDUSTRIE”, empregado por Theodor Wiesegrund Adorno (1969), designa a exploração sistemática e programada de “bens culturais”, no sentido de obras de arte e produtos culturais (livros, palestras científicas, música, artes cênicas, expressões visuais e plásticas, áudio-visual, dentre outros), com fins comerciais. A mídia da massa passa a fabricar industrialmente elementos culturais, segundo as normas de mercado, levando em consideração o rendimento, a estandardização e a divisão do trabalho, idênticas as do capitalismo.

A indústria cultural reflete, assim, as mesmas relações e antagonismos que o mundo
industrial das sociedades modernas, com a diferença que, cúmplice da ideologia dominante, tem como papel homogeneizar e tornar inofensivos os possíveis conflitos, em particular os que poderiam provir dos focos culturais organizados.

Assiste-se, portanto, a uma progressiva inserção da arte na esfera da indústria capitalista. Homogeneizando as obras de arte ao nível de mercadorias que obedecem à lei da oferta e da procura, fazendo a arte entrar no ciclo da produção – consumo, esta não apenas se banaliza como suprime de si qualquer veleidade de contestação do domínio artístico e da cultura tradicional.

A arte precisa de tornar “palpável”, acessível ao amador que deixa de percebê-la como expressão de uma vida melhor que aquela que suporta. Nas sociedades de superprodução, em que a razão de ser dos produtos não mais aparece como expressão das necessidades vitais, é fácil considerar o produto artístico-cultural como supérfluo, como mercadoria de luxo.

Nessa conjuntura, a arte e a arte moderna em especial, são suportadas, mesmo que não sendo “consumidas”, enquanto promessas de consumo. Transforma-se aí, totalmente a relação do amador com o objeto de arte. O consumidor passa a ter direito de projetar à vontade seus sentimentos, seus resíduos miméticos, sobre o que lhe é oferecido. Adorno faz alusão ao que Hegel denominava a “liberdade para com o objeto”. Outrora o sujeito olhava, escutava, lia uma obra e dela esquecia , se fazia indiferente ou não. Hoje, o que ocorre, é uma indução ao desejo pequeno-burguês que a obra lhe traga algo, ela se torna o objeto de desejo passando a ser uma “grande necessidade” a ser adquirida, a ser consumida.

Assim, a arte se torna uma necessidade social e de mercado, transformando-se numa empresa movida pelo lucro, duplamente rentável, já que possibilita adquirir status quo e satisfazer necessidades recriadas e condicionadas no consumidor que nem toma mais consciência de que não existe satisfação autêntica em algo que falseou a sua significação. Essa satisfação pode ser induzida ou consentida. A obra de arte passou a ser a presa desse desejo, sendo igualmente sua fonte. A consciência burguesa passa a ver, é o que mais a satisfaz, em um objeto de arte, o seu próprio esplendor, nele se reconhecendo para adquirir legitimação política.

Para as classes dominante a arte é o instrumento para que elas se apresentem com valores e ideais nobres, que elas são incapazes de realizar efetivamente, bem como a imagem de mundo que elas têm necessidade de encontrar. A indústria cultural torna-se, portanto, em um dos instrumentos mais poderosos e eficazes da legitimação do Governo, encarregado que ficou de “disseminar, conservar e difundir a ideologia da classe dominante”(ABRAMO; 1985: 8).

A comunicação de idéias e sentimentos não se fazem em abstrato como também não existe um público receptor, um grupo emissor ou um canal transmissor, acontecendo isoladamente em si mesmos. Esses vários fatores da comunicação operam interligados compondo um sistema, que é a “Indústria Cultural”. “Indústria enquanto complexo de produção de bens. Cultural, quanto ao tipo desses bens”( ABRAMO; 1985: 54). Para o sociólogo francês Edgar Morin, (1990), depois de um século de colonização política e geográfica, as potências industriais começaram a colonizar a grande reserva que é a alma humana. Os novos domínios seriam a inteligência, a vontade, o sentimento e a imaginação dos seres humanos que vêem cinema, ouvem rádio, vêem e ouvem televisão, teatro, circo. A técnica feita indústria, foi permitindo a consolidação de grandes complexos (produtores, fornecedores de imagens, de palavras e de ritmo) que funcionam como um sistema que fica entre o mercantil e o cultural.

A indústria cultural é vinculada a dois fatores: o da mensagem e o da força produtora. Tanto no capitalismo como no sistema estatal, na era pós-industrial e na atual etapa da globalização, a existência dos outrora centros de controle econômico e político que decidiam sobre a produção dos bens, a serem maciçamente consumidos pelo público, foram pulverizados graças ao acesso às novas tecnologias eletrônicas e novos tipos de organização econômica, social e cultural. Existe aí um fator mediador entre a empresa (privada ou estatal) e o realizador artístico – a burocracia, expressa em leis, decretos de regulamentação e outros mecanismos de controle, indiretos ou ocultos.

Repuxada de um lado por um aparelho burocrático e, de outro, pelo público que passa a exigir sempre o novo, e aí em seu papel ativo, a indústria cultural acaba realizando uma produção de compromisso. Quer dizer que o teor do imaginário, da originalidade, da inovação que a cultura de massa pode oferecer é limitado não por uma fatal carência de talento dos realizadores artísticos, mas por força da organização industrial que através da burocracia a rege estruturalmente.

O padrão na industria cultural, advém dos arquétipos, dos modelos do espírito humano, das “necessidades”. Para Morin, (1990) toda cultura está constituída por padrões-modelos que ordenam os sonhos e as atitudes.

Quando o padrão é colocado, ela vem e funda a estandardização2 sobre os grandes temas românticos, transforma os arquétipos em estereótipos. Fabricam-se novelas sentimentais em série, a partir de certos modelos que chegam a ser conscientes e racionais, como se o coração, também pudesse ser posto em conserva. Um dos fatores que mais contribuem para esse imobilismo cultural é a extrema divisão do trabalho. A fórmula substitui a forma. O caso do cinema é um bom exemplo. Para a realização de um filme concorrem centenas de especialistas que não têm noção da obra como um todo (são roteiristas, cenógrafos, dialoguistas, engenheiros de som, editores). Quanto a questão da padronização absoluta a indústria cultural tem se utilizado das chamadas vedetes e dos autores consagrados, que de vez em quando entram no cenário cultural para quebrar as mesmices.”

O teatro, em particular, tem se utilizado desse recurso- dois ou três atores famosos e uma comédia” (BOSI; 1986: 50/51). “Além da divisão do trabalho, a indústria cultural partilha com as demais empresas a tendência ao consumo máximo” (IBIDEM: 54). Nessa perspectiva, vai em busca do lucro necessitando para isso de um alto consumo. Para alcançar essa meta, estimula o consumismo através das “iscas”ditas culturais, mas sempre com uma linguagem acessível ao maior número de pessoas para homogeneizar o consumo.

A exploração com fins ideológicos contribui para o que Adorno chama a “ENTKUNSTUNG DA ARTE”, que é a perda, pela arte, de seu caráter artístico. Essa perda é uma conseqüência direta da “die Leidenschaft zun Antasten” a paixão pelo palpável, cujos sintomas aparecem na idade moderna e se consolida cada vez mais nas sociedades pós-modernas. A arte do passado, expressão do abismo que a separava da realidade, testemunho da divisão social do trabalho, tinha pelo menos a coragem de colocar em questão à falsa reconciliação entre o objeto de arte ou objeto estético e seu contemplador.
Para Marcuse (1967), “os privilégios culturais exprimiam que a liberdade é injusta, como também a contradição entre a ideologia e a realidade, mostravam que há um fosso entre a produção intelectual e a produção material; mas eles também estabeleciam um domínio fechado, em que as verdades e tabus podiam subsistir em uma integridade abstrata, à parte da sociedade que os suprimia”. A atribuição de um valor de mercadoria à obra de arte liga-se diretamente ao fato dela ter supostamente se “aproximado” do público.

2. Estandardização: o sentido desse termo vai na direção de explicar a padronização das coisas, produtos ou até hábitos.

Marcuse (1967) constata igualmente:”É bom que a maior parte das pessoas possa dispor da arte apenas girando o botão de um aparelho ou entrando em um drugstore.(farmácia e loja de conveniências). Mas, através desta difusão, a arte se torna a engrenagem de uma máquina cultural que remodela o conteúdo daquela.

O distanciamento artístico, assim como os outros modos de negação, como o de torná-la mercadoria, se pulveriza frente ao processo irreversível da racionalidade tecnológica”.

Essa é uma questão importante em função de que, se por um lado tem-se a facilidade do acesso aos bem culturais, por outro, a redução da distância instaura um tipo de relação fundada no desejo de possuir e não na razão dessa posse, isto bem presente nas sociedades de superprodução, o que vai dar lugar ao prazer ou ao prestígio que a posse da obra acarreta. O consumidor, ao invés de se identificar com ela, procura tornar a obra semelhante a si próprio.

Com o crescimento do capitalismo a indústria cultural criou dois importantes fatos: “a estratificação de novos públicos e a criação de uma imprensa capaz de atrair leitores de todas as classes de cultura”(BOSI; 1986: 55).

Aos que pretendem chamar esse fenômeno de “cultura de massa”, Adorno argumenta que a indústria cultural não nasce espontaneamente das próprias massas, mas que ela e suas mensagens são fabricadas mediante acertos e planos que visam o consumo. A cultura de massa é um produto da indústria cultural, sendo uma realidade imposta, diferentemente da cultura popular que é uma estruturação cultural a partir de relações internas no coração da sociedade, em oposição a esse sistema de idéias, imagens, atitudes e valores “sugeridos”.

Considerações Finais

A indústria cultural segue, hoje, o modelo de civilização do mundo pós-moderno- tudo tem um ar de semelhança. Em vez de se reconhecer a necessidade do indivíduo na busca do seu “EU”, o submetem ainda mais radicalmente à sua antítese, ao poder total do capital. Ela é “a integração deliberada dos consumidores no seu mais alto nível” (ADORNO; 1964: 3).

Como toda indústria, a cultural é um sistema que se articula a partir do consumo, das relações concretas entre os componentes da sociedade consumidora, em função de um público que homogeneizado e nivelado à priori pelas instituições que produzem as mensagens de consumo.

A verdade, cujo nome real é negócio, serve-lhes de ideologia. Esta deverá legitimar os refugos, por exemplo, os sub produtos da música como intérpretes sem formação de canto que de propósito produzem. Os interessados e participantes desse negócio adoram explicar a indústria cultural em termos tecnológicos. A participação de milhões em tal indústria imporia métodos de reprodução que, por seu turno, fazem com que, inevitavelmente, em todos os locais, necessidades iguais sejam satisfeitas com produtos estandardizados.

Na realidade, é, nesse círculo de manipulações e “necessidades”, que a unidade do sistema se restringe ainda mais. Esse ambiente, e isto não é dito, onde a técnica adquire tanto poder sobre as classes sociais, encarna o próprio poder dos economicamente mais fortes.

A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio domínio, é o caráter repressivo das classes que exercem o controle. Por hora, a técnica da indústria cultural só chegou à estandardização e à produção em série, sacrificando aquilo pelo qual a lógica da obra se distinguia da lógica do sistema social. A obra de arte busca rever o interior da criação, enquanto o sistema político dominante visa a regulamentação das criações e atos.

Segundo a filósofa Hanna Arendt (1990) a cultura estandardizada “satisfaria a uma necessidade imposta e artificial de aprimoramento, mas que não é uma conquista do indivíduo por não ser radicada na sua inteligência e sensibilidade”.

Essa visão coloca que o consumidor nada mais pode produzir de autêntico em virtude de não poder expressar a sua existência. Para a autora, a questão é categórica: deves submeter-te porque todos se submetem.

É evidente que a padronização das mensagens do consumo dos bens culturais está liquidando os conteúdos e as formas de cultura popular e aniquilando com a identidade cultural dos povos. O caso dos mamulengueiros, que definham a cada dia, sem espaço próprio para a manutenção de suas práticas, é um bom exemplo.
Existem autores cujo enfoque sobre esse tema é a resistência. O argumento é o de que o produto da indústria cultural-a cultura de massa, pode gerar dinamismo próprio capaz de oportunizar efeitos sociais além dos programados.

Optou-se, neste artigo, pela análise da indústria cultural como consumo, passivo ou não, de bens culturais, pois entendemos que, omitir a análise desses impactos sobre a produção de arte e cultura significa limitar a compreensão desse importante instrumento de denominação do capitalismo neste final de século.

Referências bibliográficas

ABRAMO,Lelia e outros.Política cultural.R.J: Zahar Editores, 1985.
ADORNO,Theodor Wiesegrund.L’industrie Culturalle.Paris,Senil, 1969.
BOSI,Ecléa.Política cultural.SP:Vozes,1986. Cultura de Massa e Cultura Popular.Leituras Operárias. Petrópolis:Vozes,1986.
FISCHER,Ernest.A Necessidade da arte.RJ:Zahar Editores,1971.
GIROUX,Henry.A Escola Crítica e a política cultural (tradução Dagmar M.L.Zibas).SP:Cortez,1987.
MARCUSE,Herbert.Ideologia da sociedade industrial.RJ: Zahar Editores, 1967.
NETTO,José Teixeira. O Que é a indústria cultural.SP:Brasiliense, 1986.

* Fernando Abath é mestre em Educação e agente Cultural

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014